quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Obrigado Lula

Cerca de oitenta mil pessoas estavam ontem no Marco Zero do Recife para dizer OBRIGADO ao melhor presidente da história do Brasil.


"Se eu falhasse, quem falharia era a classe trabalhadora, os pobres que iriam provar que não teriam competência para governar"


"Sem o dedo de Deus`, não teria chegado à Presidência. ´Não era normal que um retirante de Caetés, que saiu do Sertão para fugir da fome, se transformasse em presidente do Brasil".

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Começo do Fim

Sinto um aperto. E já não sei se é no coração ou na consciência. Olho em volta e só consigo ver o que passou. Pois para frente a visão ficar turva e já não me permite discernir muita coisa.
No passado vejo amigo, o amor e a realização. No presente “estranheza e solidão”. No futuro, eta! Já não sei mais não. Tudo de mim parece ter ficado no passado. Ter sido amarado nas entranhas das voltas que a vida dar. Já não há mais firmeza e determinação. A ânima que me sustentou parece não está mais presente em meu corpo. Há um abismo que a cada dia anuncia que vai me engoli. “Já nem sei dizer se sou feliz ou não”.

Roberto Almeida

domingo, 10 de outubro de 2010

MARINA, você se pintou...?

                                           Marina... você se pintou?

Maurício Abdalla [1]

"Marina, morena Marina, você se pintou" – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o "grito da Terra e o grito dos pobres", como diz Leonardo.

Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?

Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as "famiglias" que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.

 

Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas "os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz". Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.

 

Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. "Azul tucano". Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.

 

Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a "vitória da Marina". Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.

 

"Marina, você faça tudo, mas faça o favor": não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você "tanto faz". Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem "esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele".

Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. "Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu".

 

[1] Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), dentre outros.
 



 

domingo, 3 de outubro de 2010

O Rio Como Alternativa


Impaciência, agonia e raiva, estes foram o sentimento de quem estava na última quinta-feira entre a PE 60 e a BR 101 em Pernambuco. Foram horas em um engarrafamento quilométrico que se estendeu ao longo da noite.
Este na verdade foi apenas mais um dos dias engarrafados do grande Recife. O problema do trânsito vem se agravando dia apos dia. Alias, trânsito é um termo inadequado para denominar a fila de carros e caminhões que diariamente se forma nas ruas das cidades da região metropolitana. Apesar de estarmos em plena campanha eleitoral, digo, a apenas três dias das eleições, nenhum candidato apresenta propostas efetivas para resolver o problema.
Fico pensando na possibilidade de despoetizar o Rio Capibaribe tão bem fraseado por Gilberto Freire, João Cabral de Melo Neto e que rendeu a Recife o titulo de “Veneza Brasileira” e torná-lo em uma alternativa ao transporte de massa.
Vamos pensar um pouco! Um rio que corta o Recife e tem 270 Km de extensão, passando por 42 municípios do estado, nasce no agreste e desagua no mar, em Recife, precisa se transformar em uma alternativa para desafogar o trânsito na região metropolitana ou no mímimo no centro da cidade.
Alias, hoje este tipo de transporte fluvial não é inédito e ocorre em uma microescala no bairro de Casa Forte, onde os moradores da comunidade Cabocó utilizam barcos para se locomover até a Torre. No passado durante o ciclo da cana-de-açúcar, o rio que servia de trilho para escoar o melaço, a madeira e especiarias que saíam da casas de engenho.
Como vemos, mais uma vez precisamos investir na recuperação de mais uma área degradada (o rio), pela nossa sociedade capitalista que vibra com a mobilidade social de 36 milhões de pessoas para a classe média e com boom de vendas de veículos.
Como disse o poeta:
“A lição sabemos decor, só nos resta aprender”.
Roberto Almeida

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Precisamos entender...

Palestra para alunos do 3º ano do ensino médio em Abreu e Lima.



As tratativas mantidas na atual conjuntura globalizada para proteção do meio ambiente têm se mostrado estéreo dado urgência com que precisamos responder as constantes ações degradatório ao nosso planeta terra. Estamos tratando o doente apenas pelos sintomas e camuflando a causas.
Não dá para conciliar preservação ambiental com o modelo econômico capitalista que bancaroteia o mundo. A forma romântica de agir de alguns setores ambientalista que pregam uma convivência entre a preservação e o modelo econômico, o qual costuma chamar de “sustentabilidade”, junto com os tecnicista que levantam a bandeira da geoengenharia tentam responder a desenfreada degradação do nosso planeta. Porém a cada dia fica mais claro que esta não é uma crise ambiental e sim moral.
A falência dos valores que nos torna humano devasta a sociedade e nos distancia de uma visão planetária assim como cósmica. Não temos a consciência nem mesmo do nosso local, não enxergamos o nosso semelhantes e nem nos entendemos como entre ou parte deste “meio ambiente”. Termo que, aliás, não tem propriedade de ser. Pois o que é meio não é inteiro ou ainda todo meio é um ambiente.
Precisamos visitar outras culturas como negra, a indígenas, a indiana, onde a natureza é cultuada e divinizada gerando o respeito e, por conseguinte a preservação. Precisamos romper os padrões do mercado e entender que o capital não é o valor que precisamos para preservarmos o planeta. Precisamos entender que fazemos parte de um cosmo e que este tem regras que chamamos de naturais. O esforço apenas tecnico-científico não consegui responder aos desafios e não evitará a destruição do nosso planeta. É necessário que as igrejas assumam seu papel junto ao povo, que seus teologos repensem sua praxi. Amplie o lugar teológico para o encontro de Deus. Refaça a exegese bíblicas sobre uma pespectiva ecológica de um Deus encontrado em tudo e em todos (panenteísmo / panteísmo), não apenas no homem.
Roberto Almeida
Especialista em Gestão Ambiental

domingo, 29 de agosto de 2010

Multa Ambiental é uma Farsa

O Congresso Nacional decreta e o presidente sanciona. É sempre assim, invariavelmente assim. As leis em nosso país têm sempre o mesmo inicio. Assim com o seu desfecho. No Brasil apenas 1% das multas derivadas de crimes ambientais são pagas.

O fechamento de uma indústria, a constatação de contaminação de rios, o flagrante de desmatamento e um derrame de óleo no mar é matéria de capa para qualquer jornal. É noticias lucrativa para qualquer meio de comunicação. O clima de indignação é passado pelos jornalistas e nos contagia do outro lado. As cenas de atuações dos fiscais do IBAMA e Polícia Federal são empolgantes em suas operações sempre com um título impactantes (operações “Guardiões da Amazônia”, “Arco de Fogo”, Operação “Curupira").

Mas, e depois quem paga a conta? Um levantamento inédito feito pelo jornal O Globo revela que, nos dez anos da lei de crimes ambientais, menos de 1% do valor total de multas administrativas aplicadas pelos órgãos ambientais estaduais foi pago.

A grande quantidade de recursos judiciais que o infrator lança mão, embasado na má ou errada descrição e fundamentação legal das infrações feitas pelos fiscais, muitas fezes até de forma dolosa, tem provocado a anulação de muitas multas.
A prescrição também é causa desta inadimplência ambiental. A morosidade dos órgãos, que em alguns casos levam mais de 5 anos para analisá-las, promove uma verdadeira avalanche de multa não pagas. Desta forma, multas ambientais no Brasil é uma verdadeira farsa. Virou propaganda de governantes que querem se mostra atuantes na preservação ambiental, já que é o tema da moda na atualidade.

Mas a situação ainda é pior. Pois deste 1% de multas pagas apenas 10% de cada multa vão para o Fundo Nacional do Meio Ambiente e efetivamente são aplicados em planos ou programa de preservação ambiental. O restante fica com o tesouro nacional e são aplicados em qualquer outra coisa, quem sabe até em mensalão!...

Desta forma fica a necessidade de equacionarmos esta problemática que atinge em cheio os programas de preservação do meio ambiente. Talvez priorizar o dispositivo legal dos infratores prestarem de serviços ambientais tais como: execução de obras de recuperação de áreas degradadas e de atividades de preservação, recuperação da qualidade do meio ambiente ou com o custeio de programas e projetos ambientais, e ainda o de adotar o embargo e confisco de áreas e bens impedindo a comercialização dos produtos seja mais eficientes que a aplicação de multas.

Em meio a este cenário não é possível aceitar ou até mesmo pensar em anistia aos crimes ambiental. E isto está sendo proposto no projeto de alteração do código florestal brasileiro que tramita, em estágio avançado, na no congresso nacional.


Roberto Almeida.
Especialista em Gestão Ambiental

quinta-feira, 24 de junho de 2010

São João Ecológico


As festas de São João deixam docíssimas lembranças e representa para mim a melhor festa do ano. Seja pelas delícias da culinária ou pelas belíssimas rimas e motes do xote, baião e forro. Porém uma preocupação também me marca nesta época: os impactos que as fogueiras causam ao meio ambiente.
As fogueiras têm origem europeia e eram utilizadas pelos pagãos para celebrar a chegada do solstício de verão. A Igreja católica aculturou esta tradição fazendo uma releitura a partir da passagem bíblica em que as primas, Maria e Isabel, fizeram um trato para esta acendeu uma fogueira sobre o monte para avisar a Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto.
Daí em diante a prática das fogueiras virou tradição incentivada pela Igreja Católica e fortemente prática no nordeste brasileiro.
Hoje com o calor das discussões sobre a preservação do meio ambiente as fogueiras precisam ser repensadas. Pois os impactos apesar pouco pesquisados são visivelmente relevantes à natureza. Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) revela que para cada fogueira queimada seria necessário o replantio de três árvores por ano.
Além de contribuir com o desmatamento da tão sofrida mata atlântica nordestina também impacta, consideravelmente, nos mangues das regiões metropolitanas das capitais do nordeste. Pois é de lá que vem a maioria das lenhas que encontramos enfileiradas para a venda nas calçadas das avenidas destas cidades. Não distantes estão as emissões de gases poluentes que contribui, no mínimo, com o aumento do efeito estufa e agudamente ameaça a saúde das pessoas. Já que a celeuma sobre a veracidade do aquecimento global é grande o deixaremos de lado.
Vejo neste cenário um exemplo de modelo cultural que precisa ser retrabalhado direcionando-o para uma realidade ecológica bem mais coerente com os dias atuais. Assim a Igreja tem mais uma grande oportunidade de rever o discurso e ecologizar esta tradição. Para começar poderia incentivar apenas fogueiras coletivas promovendo a união, a harmonia e a interação das pessoas de uma rua. Assim reduzindo o número de fogueira. As prefeituras dos grandes pólos das festas juninas como Caruaru e Campina Grande deveriam seguir o proposto por Robson Fernando em seu blog: “abandonando o costume em prol de um São João ecologicamente correto e ensinando às pessoas que a fogueira é um estorvo ambiental que não faz falta para os festejos”.